Sob a sombra de uma romãzeira

Seção Social   •   Data 10/05/2012   •   Nenhum comentário

Nessa mesa é proibido discutir futebol e política. Só vale estórias de pescador.

Sob a sombra de uma romãzeira e junto a orquídeas, um grupo de amigos se reúne, nas manhãs de domingo, para um bate-papo, no Nosso Bar-zinho, nº 1031 da Ângelo Sampaio. Numa gentileza especial do proprietário do bar, Darci Fernandes de Oliveira, às 10 horas começa o “breakfast”: diversos tipos de salames, presunto, queijos, frutas (melão, uva, mamão e romã colhida na hora!), pão e bolo! Naturalmente, a cerveja, caipirinhas, uísque e refrigerantes substituem o café com leite, o chocolate e o chá. Mas nesse “esquenta”, a preocupação é com o desjejum e forrar o estômago para a jornada que se estenderá, para a maioria, até as 13 horas.

O grupo, formado por profissionais liberais, empresários, magistrados, jornalistas e aposentados, tem em comum o gosto pela conversa descompromissada e as estórias de pescarias pelo Pantanal mato-grossense. Uma vez por ano, um grupo deixa as reuniões no Nosso Bar-Zinho e segue para uma semana em busca de dourados, pintados e até mesmo piranhas para um bom caldo afrodisíaco, seguindo a receita de pantaneiros e piloteiros de barcos, que trazem nas veias sangue de caboclo e índio, com suas receitas caseiras. Normalmente a imagem comum às rodas de aperitivos é a de piadinhas às mulheres que passam por perto. Nisto o grupo destoa: é comum ver-se esposas e namoradas dos freqüentadores participando das conversas, principalmente enquanto dura a rodada do breakfast. E por ocupar parte da calçada é regra “não-escrita” não fazer gracejos às mulheres que passam por ali. Afinal, são vizinhas, em sua maioria.

Durante os demais dias da semana, o Nosso Bar-Zinho tem na sua freguesia trabalhadores que fazem ali sua refeição, com uma comida bem caseira. Nas paredes, fotografias de pescarias e espécimes capturadas nos rios do Pantanal. Darci e sua esposa Ilza é que comandam o atendimento. E Darci tem muitas estórias para contar. A começar pelo seu tempo atrás de balcão de bar: 43 anos! Está com o Nosso Bar-Zinho desde 1991. Antes, o endereço era na mesma rua, no número 938. Com a freguesia crescendo e o espaço pequeno, Darci viu a oportunidade de aumentar seu negócio com a venda do ponto onde está hoje. Inicialmente arrendou o imóvel, ficou por seis meses e resolveu comprá-lo. E aí a melhor parte: seus fregueses se cotizaram e emprestaram o dinheiro para a compra! Diz que oferecer um desjejum caprichado aos amigos faz parte de sua gratidão pelo que fizeram para ele.

Mas num ponto, Darci é inflexível: nada de discussões sobre futebol e política. Afinal, o bar é um espaço democrático e, segundo os freqüentadores das manhãs de sábado, a “reunião” é para relaxar e não para esquentar a cabeça e fazer inimizades.

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