Maitre Vovô, experiência de mais de 40 anos na profissão

Seção Diversos   •   Data 22/05/2015   •   Nenhum comentário

Vovô Placa

Numa viagem pela memória dos bares e restaurantes da cidade lembramo-nos de personagens que criaram uma identificação total com o seu trabalho, chegando mesmo a sintetizá-lo em seu nome.

Nos tempo do Bar Cometa, Dalmo era lembrança do pernil com verde e queijo; Carlos Gomes no Restaurante Rio Branco; Dino, do Stuart, onde trabalhou por 38 anos – começou ali aos 14 anos e acabou tornando-se proprietário; Ramiro e Pedro, do Imperial; Ligeirinho, que tem hoje bar com seu nome; o Pepe, do Bar Palácio, o Isaltino do Tortuga…

Hoje, com a velocidade da informação, nomes chegam e desaparecem rapidamente. Não chegam a se firmar. Salvo se…

Está aí a diferença! Exatamente no “salvo se…”.

Salvo se o profissional foi moldado, ao longo da vida, para a profissão. É isto que está fazendo o diferencial do Vovô, maitre (e gerente!) da Mercearia Bresser, no Batel. Aos 14 anos, caçula dos 16 filhos de Francisco Aderaldo e Ana Raimunda, saiu da pequena Jaguaretama, no Ceará,  para visitar um dos irmãos, que trabalhava num bar, em São Paulo. Encantou-se com a cidade e pediu para ficar. E ficou por lá durante 34 anos. Nos cinco primeiros, ajudando o irmão no bar. Com a maioridade resolveu abrir as asas e arriscar voos mais altos. Pousou, como garçom, na La Trattoria, cantina famosa, no bairro Pinheiros, na capital paulista. Ficou por lá 15 anos e ficou amigo de uma legião de artistas, que se reuniam ali nas noites de domingo. Aracy Balabanian, Jô Soares, Leão Lobo, Marco Nanini, Ney Matogrosso –“sempre com gorjetas generosas”. Isto até o pessoal da cozinha reclamar que a reunião dos artistas ia até muito tarde nos encontros dominicais. De lá foi para outras cantinas – La Buca Romana (na Oscar Freire), Don Pepe di Napoli, Moinho Santo Antonio, onde servia sempre Chiquinho Scarpa. Vovô fala da generosidade de Chiquinho e da sua mania em só pegar na caneta para assinar o cheque. “O secretário do Chiquinho pegava a caneta do bolso do chefe, preenchia o cheque, Chiquinho assinava e a colocava em seu bolso”, relembra o maitre, com uma gostosa gargalhada. Do Santo Antonio foi para a Pizzaria Brás, onde conheceu um velho habitué da casa – Oduvaldo Barranco.

Barranco, morador da Mooca, amante de vinhos e pizzas, resolveu materializar um velho sonho: ter a sua própria pizzaria! E viu que Curitiba seria o lugar ideal. Do sonho partiu para a ação. E aquele garçom de cabelos grisalhos, surgidos precocemente, conhecido por Vovô, foi um dos nomes convidados para a empreitada.

Assim, desde 14 de julho de 2005, Vovô (Francisco Silva só aparece em seus documentos) está na Bresser, colocando aos clientes seus 44 anos de experiência na delicada missão de bem servir à clientela e comandar a equipe de funcionários da Mercearia Bresser Batel.

Para os clientes da pizzaria, Vovô tem dois traços indispensáveis para a função: a boa memória e facilidade de comunicação. Assim ele vai marcando sua presença na Bresser e colocando seu nome naquela galeria de garçons e maitres da gastronomia curitibana.

A propósito, Vovô dá suas preferências no cardápio da Bresser: como entrada, Bresaola ou Silva Telles: pizza Bresser ou Vila Judite; sobremesa Bistelo ou goiabasa caseira com catupiry. E para arrematar, o café corto com sambuca italiano.

 

 

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